Fóssil de mastodonte é encontrado em sítio de Tauá

Foi encontrada neste município uma peça paleontológica dos fragmentos do dente de um mastodonte. Os registros que vêm ocorrendo há cerca de cinco décadas poderão inserir a região dos Inhamuns entre os Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil (Sigep), por meio da comissão brasileira destinada a estudos nessas áreas da localidade. Mesmo sem uma descrição mais detalhada da peça, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), com sede em Crato, irá realizar identificação na localidade, onde já foram registrados diversos achados, com a constatação de sítio paleontológico, com registro de até 11 mil anos, referentes ao período quaternário da era Cenozóica. A Fundação Bernardo Feitosa, da localidade, registrou peças recentes também de uma preguiça gigante.

O chefe do órgão federal, Artur Andrade, destaca o achado e diz que uma equipe será deslocada de Crato para realizar uma pré-avaliação do material, que até o momento ele conseguiu identificar apenas por uma imagem fotográfica. Segundo ele, trata-se de um animal da mesma família dos elefantes, do período Pleistoceno.

A peça tem cerca de 25 centímetros de comprimento e mais de 18 centímetros de base, conforme o chefe do escritório do DNPM, e pelas avaliações iniciais é de um animal de idade avançada. Os fragmentos do dente do mastodonte foi encontrado pelo agricultor Hermínio Costa, no setor G do DNOCS do Município. Ele viu o material durante a perfuração de poços de água. De acordo com Artur Andrade, essa descoberta pode possibilitar que Tauá seja inserida no rol das cidades cearenses onde ocorre o turismo científico, como acontece atualmente na área da Bacia do Araripe, e área da sede do Geopark.

Segundo o secretário executivo do Pacto Ambiental da região dos Inhamuns e Sertão de Crateús, Jorge de Moura, a descoberta tem tudo para inserir Tauá no cenário internacional, com a atração de pesquisadores. Há cerca de 50 anos, são realizados registros de achados paleontológicos na localidade, que também se destaca na área da Arqueologia, com artefatos encontrados na região.

A Fundação Bernardo Feitosa detém a guarda de três mil peças no Museu Regional dos Inhamuns. São fósseis e material etnográfico conservados e preservados. Atualmente, além do Museu, um parque com 25 sítios georeferenciados completa a vasta área arqueológica e paleontológica encontrada em Tauá. Artur Andrade disse que a peça recém-encontrada em Tauá, há pouco mais de duas semanas, deverá permanecer no município.

Os mastodontes viveram na América do Norte e também na América do Sul durante o Pleistoceno, tendo-se extinguido há cerca de 11 mil anos. O que chamou a atenção foi o bom estado de conservação do material.

Para Jorge Moura, as peças recém encontradas na região representam descobertas de um valor científico incomparável.

O secretário admite que, do material encontrado, poderá ter novas peças de animais, que ainda não pôde identificar. “Estou me programando para iniciar os estudos em Tauá. Já está fechado com o DNPM. Vou fazer a retirada do restante das peças para análise. Temos que fazer um estudo minucioso dos fósseis, até para não afirmarmos ser um animal e acabar sendo outro”, disse.

Por conta dos sítios identificados, há um debate local, com vistas à criação de um “Geopark”, reunindo a riqueza paleontológica e arqueológica da região. Moura afirma que a Prefeitura Municipal tenta priorizar o turismo científico como política pública para o desenvolvimento sustentável.

Nesse sentido, e lutando contra a falta de recursos, o museu e as áreas arqueológicas descobertas foram assuntos de discussão no II Workshop sobre Turismo de Tauá, realizado em 2006, em parceria com Sebrae, com o tema “Uma opção sustentável para o semi-árido”. No primeiro Workshop, em 2004, foi identificado o potencial da região. A ideia é realizar o III Whorshop no próximo ano.

Para o secretário, há um grande incentivo local para a criação de um curso de Arqueologia. “Incentivamos e lutamos pela criação do curso para a região dos Inhamuns. Aqui é um grande laboratório e biblioteca a céu aberto”, diz. Na última reunião da Uece, o pesquisador Lúcio Galvão levantou a questão. “Estamos em processo de reforma estatutária. Temos uma ideia para unir Uece e Urca no projeto”.

Mais informações

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Centro
Município do Crato
Telefone: (88) 3521.1619

Elizângela Santos
Luanna Leitão

Repórter/ colaboradora

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