‘Não vamos desistir’, diz pai ao pedir denúncia de PMs que mataram filho

“Não vamos desistir. Enquanto houver como recorrer, faremos”. Foi o que disse Tyrone Castro Uchoa Castelo após sair do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, onde entrou com um mandado de segurança em busca da denúncia de sete policiais militares envolvidos na ação que resultou na morte de seu filho, José Fernandes Carlos, de 19 anos. O jovem universitário morreu em abril de 2013 ao furar uma barreira policial em Mossoró, na região Oeste potiguar.

Dos oito policiais militares que participaram da ação, apenas um foi denunciado pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte em fevereiro do ano passado. Desde então, a família vem tentando o aumento no número de denunciados. “Foram nove tiros no carro. Seis acertaram o lado em que José Castelo estava em uma altura maior que a dos pneus. E três policiais confessaram ter atirado no inquérito. Mesmo assim só um foi denunciado”, afirma Tyrone Castelo.

No mandado de segurança, a família de José Castelo quer que o juiz da 1ª Vara Criminal da Comarca de Mossoró envie o processo para o Procurador Geral de Justiça. “Queremos que a denúncia seja revista. Todas as provas mostram que a intenção dos policiais não era parar o carro e sim parar o motorista. Atiraram até quando o carro estava parado, não prestaram socorro e deixaram meu filho lá”, diz a mãe do jovem, Maria do Socorro Noronha.

A família também nega que o filho tenha atropelado três pessoas durante a perseguição. De acordo com Tyrone Castelo, apenas uma motocicleta foi atingida. “O condutor quebrou o tornozelo e prestamos todo o apoio”, explica. Com quase dois anos da morte do filho, o engenheiro se emociona. “Esse tempo tem sido de sofrimento. É uma perda irreparável e difícil ter que brigar por justiça nos tribunais”, encerra.

José Castelo (Foto: Carlos Arthur da Cruz/G1)
Um tiro atravessou a lanterna traseira do carro e acertou José Castelo (Foto: Carlos Arthur da Cruz/G1)

Entenda o caso
José Fernandes Castelo, de 19 anos, nasceu em Tauá, no Ceará. Ele morava em Mossoró desde o início do ano passado, onde cursando engenharia civil no campus da Universidade Potiguar (UnP). Ele foi morto na noite de 13 de abril de 2013 após levar um tiro nas costas. O disparo foi feito pela Polícia Militar após o jovem furar uma barreira de fiscalização de trânsito. Na época, segundo informações do 12º Batalhão da PM, o rapaz conduzia um Honda Civic com placas de Fortaleza.

Tyrone Castelo (Foto: Carlos Arthur da Cruz/G1)
Tyrone Castelo lamenta morte do filho
(Foto: Carlos Arthur da Cruz/G1)

Ainda de acordo com informações da PM, familiares do rapaz teriam confirmado que ele havia bebido. Segundo perícia preliminar do Instituto Técnico-Científico de Polícia (Itep), foi encontrado um copo com bebida alcoólica dentro do veículo. O tiro que atingiu as costas de Castelo perfurou a lanterna traseira do lado direito e atravessou o banco do motorista.

A perseguição, conforme registrado pela PM deMossoró, aconteceu a partir da avenida Leste-Oeste, no Centro da cidade. Consta que o universitário ainda foi perseguido por guarnições da Departamento de Polícia Rodoviária Estadual (DPRE) por várias ruas do bairro Boa Vista, só parando o veículo ao ser alvejado no bairro Nova Betânia.

Carro foi atingido por nove tiros disparados pelos PMs em Mossoró (Foto: Reprodução/Carlos Artur da Cruz/G1)

Carro foi atingido por nove tiros disparados pelos PMs (Foto: Reprodução/Carlos Arthur da Cruz/G1)

 

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