Cearenses aprendem lições e garantem negócios na China

Guangzhou (China). O consultor avisa antecipadamente: “não é força de expressão. A feira é gigante”. E ele não exagera. Tudo em relação à Export e Import Fair, ou Canton Fair, realizada até ontem, em Guangzhou (Cantão), em sua primeira fase, tem números que impressionam. Com 1,16 milhão de metros quadrados de área de exposição, o evento, maior no setor comercial no mundo, projeta um faturamento de aproximadamente US$ 30 bilhões para 2015 e reuniu cerca de 200 mil compradores do exterior.

Estima-se que mais de um milhão de pessoas passaram pelos corredores do evento desde o último dia 15, ávidos por oportunidades para dinamizar os negócios e maximizar lucros. O Ceará, com 23 empresários e representantes de entidades lojistas, capitaneados pela CDL Fortaleza, não ficou de fora. A crise não tem espaço nesse universo e a feira foi fonte de muito aprendizado, segundo atestam.

Foco

Catálogos e CDs com informações e disposição para caminhar fazem parte do dia dos participantes da comitiva cearense que apostou em ir à China. Alguns, antecipadamente, definiram com que fornecedores falar e quais produtos conhecer, incluindo o indispensável intérprete para garantir as conversas.

Mas todos os empresários da comitiva cearense foram orientados a ter foco durante o evento, para ter chances de vislumbrar oportunidades em um ambiente tão diversificado, com aproximadamente 300 mil produtos em exposição.

O resultado apareceu, conforme contam os empresários, ao se enxergar um novo item, negócio ou solução para empresas de qualquer porte. Para Lucimar Nunes de Almeida, presidente da Associação dos Microempresários do José Walter (Amperjw), que representa mais de dois mil micros e pequenos comerciantes, “as visitas técnicas na China permitiram identificar a possibilidade de novos caminhos”. Isso foi proporcionado ao conhecer produtos e equipamentos que melhoram o dia a dia da produção e que ela avalia, inclusive para o seu próprio negócio.

O varejista do setor de roupas finas, Antônio Cruz Gonçalves, que também preside a Associação dos Lojistas da Av. Monsenhor Tabosa (Almont), esteve no evento pela primeira vez e ressaltou: “a feira abre a mente das pessoas para bons negócios. Atualmente, no mercado competitivo, globalizado, é preciso ser ágil, inovador e atento a novas tecnologias”, constatou, acrescentando que irá repassar a experiência aos lojistas da Almont.

Já Francisco Avelino Silva, diretor do Grupo Avelino, empresário de maior porte, que há quase cinco anos importa equipamentos e componentes para elevadores na construção civil, dentre outros, afirma que com a participação no evento deste ano adquiriu 15 máquinas para o setor da construção.

“A China é muito competitiva. Aqui, em alguns casos, o produto pode ser até 60% mais barato”, afirmou.

Eles deverão desembarcar no Ceará nos próximos 90 dias. Avelino já chegou à Canton Fair com contatos realizados com fornecedores e concretizou mais esta operação.

Interior representado

O casal de empresários do Interior do Ceará, mais precisamente de Tauá, Jefferson Cidrão Massilon e Daniela, atuante nos ramos de combustíveis, motos, móveis, eletros e decoração, foi conhecer a Canton Fair com a perspectiva de encontrar oportunidades e soluções para incrementar e ampliar os negócios.

Eles revelam que saíram da feira com várias ideias, mas ela preferiu não detalhar as estratégias “para não despertar a concorrência, no setor de decorações”, justifica.

Potência mundial: consumo de massa mostra relevância

Após os primeiros dias na Ásia, ao comentar suas percepções da Canton Fair e do que viu até agora na China, o presidente da CDL Fortaleza, Severino Neto, assinalou a importância de enxergar aspectos desse mercado enorme e de como ele possui semelhanças com o nosso. O primeiro questionamento foi: “como uma feira e uma cidade podem receber um milhão de pessoas e toda essa movimentação fazer parte da vida desse lugar sem gerar transtornos?”.

Segundo constata, o tempo mostra que ela (a feira de Cantão) não foi feita para o exterior, para o estrangeiro, mas para o público interno. “Então é para esse grande mercado de massa, que a gente precisa aprender a vender. Isso é o que dá escala e vai fazer com que sejamos mais produtivos”, aponta.

Severino Neto acrescenta que, logicamente, estamos longe de ser mais de um bilhão de pessoas, como é a China. Mas foi dessa busca, de atender em escala, que nasceu de um mercado antes tão pobre quanto o Ceará, que fez com que surgisse uma potência. “Então, isso deixa uma grande lição para a gente. Inclusive, eles já estão enxergando o nosso mercado, indo diretamente para vender lá”, diz.

O empresário observa ainda que, ao desembarcar na China, é possível entender que existe uma lenda, uma imagem tradicionalista do lugar. Mas quando se chega também se percebe que há um povo com os costumes do Oriente, tradicionais, em perfeita sintonia e semelhança conosco. “Só que são chineses. Você encontra uma simplicidade e uma agressividade comercial constantes”, constata.

Outro aspecto destacado pelo presidente da CDL Fortaleza é que na região não há acesso permitido a redes sociais tradicionais (Facebook, Instagram e ao Google). Entretanto, essa população já percebeu que tudo que eles façam ou comentem tem impacto mundial.

Ao caminhar na Canton Fair, acrescenta o presidente da CDL, a grata surpresa foi constatar de quantas marcas e empresários do varejo de Fortaleza era possível lembrar e fazer associações. “O importante é o empresariado vir, ver novos hábitos e constatar que, apesar de parecer distante de nós, esse mundo não é. A China produtiva não vai ser diferente do Brasil produtivo. Existem grandes semelhanças. É preciso entender essas mudanças e fazer parte delas. É uma questão de sobrevivência. Temos que nos inserir e ser uma peça atuante dentro dessas alterações”, enfatiza Neto.

Ele conclui dizendo que o nosso empresariado (cearense) deve sair do turismo tradicional e buscar trocar experiências e visões de mercado de diversos setores, que na verdade são complementares. “Não seremos os mesmos ao enxergar esse mundo com olhar de mercado”. (RC)

Regina Carvalho*
Editora da área de economia

*A jornalista viajou a convite da CDL Fortaleza

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