Relatório confirma contaminação no Rio Poti e em açude no interior do Ceará

Amostras de solo, água e de sedimentos revelam contaminação por elementos químicos no Rio Poti, em Quiterianópolis, e no açude Flor do Campo, em Novo Oriente. O estudo consta de relatório elaborados pela Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec) e Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace).

A suspeita é que a contaminação decorra da exploração de minério de ferro por parte da empresa Globest Participações, que explorou por mais de dez anos de forma intensa o minério em uma área na Serra do Besouro, em Quiterianópolis.

Os resíduos foram carreados pela chuva para o rio e para áreas agricultáveis, trazendo preocupação para moradores e produtores rurais, nos últimos anos.

O laudo sobre a análise do solo e da água foi apresentado nesta semana em reunião conjunta das comissões de Meio Ambiente e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Ceará.

O estudo será debatido em audiência pública a ser realizada pela Assembleia Legislativa na segunda quinzena deste mês, na cidade de Quiterianópolis.

A partir da audiência pública deverá ser firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a empresa e o Ministério Público para que adote medidas adequadas para conter a contaminação do solo e da água: cobertura com lonas das pilhas com minério de ferro, que estão expostas ao meio ambiente, destinação mais segura dos rejeitos, impermeabilização e limpeza de valas, que acumulam detritos e não cumprem a função de conter os rejeitos.

Análise

Os testes foram realizados com o objetivo de analisar o nível da contaminação por metais de solo, água e sedimentos na região próxima à cidade de Quiterianópolis, por onde passa o Rio Poti e onde se localiza o açude Flor do Campo, que abastece a cidade de Novo Oriente.

Nos dias 1º e 2 de abril passado, geólogos e químicos do Nutec e da Semace coletaram amostras de solo, sedimentos e água às margens do Rio Poti, em via de acesso à mineradora Globest e na bacia do Açude Flor do Campo.

O laudo mostra presença de metais – alumínio, antimônio, arsênio, cromo, fósforo, manganês e níquel em amostra de água acima do valor máximo permitido. Em sedimento, o antimônio está presente acima do valor de prevenção e em solo as substâncias antimônio e bário também aparecem em índices elevados, dependendo do local coletado. Os valores estabelecidos seguem resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

O deputado Renato Roseno, presidente da Comissão de Direitos Humanos, disse que vê o estudo com muita preocupação e confirma dano ao meio ambiente. “O caso de Quiterianópolis confirma o perigo que a mineração traz para o país e nos alerta para o risco da atividade, que explorou o minério de ferro e deixou um passivo ambiental, um dano, muito grande para a região e que precisa ser reparado”, pontuou. “Em 13 anos de atividade foram 14 autuações”.

Bandarro

Montes de terra com minério de ferro e rejeitos acumulados na mineradora e em seu entorno escorrem por valas escavadas pela empresa, na localidade de Bandarro, zona rural de Quiterianópolis, quando ocorrem chuvas mais intensas levando a lama de coloração vermelha e preta até o leito do Rio Poti.

Quem passa ao lado da Rodovia CE-187, após o acesso à cidade de Quiterianópolis em direção a Novo Oriente, percebe parte da Serra do Besouro devastada e maquinários instalados. Ali, funcionou por seis anos, de forma intensiva e mecânica, a exploração de minério de ferro.

A Globest tem registro cassado desde 2016. O Diário do Nordeste tentou entrar em contato com a empresa Globest, mas os telefones que constam em nome da empresa permaneciam com sinal intermitente ao longo da tarde de ontem.

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