Pós-quadra chuvosa no CE supera média de igual período de 2018

Após o quadrimestre de fevereiro a maio, a conhecida quadra chuvosa no Estado – que foi, em 2019, a terceira melhor em 20 anos -, grande parte dos cearenses ainda foi surpreendida por mais água caindo do céu nos meses de junho e julho. A “ressaca” da quadra foi, inclusive, melhor que a do ano passado e supera também a média histórica do bimestre. No entanto, o prognóstico para os próximos meses não é tão positivo, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A previsão climática para o trimestre julho-agosto-setembro para o Ceará – e o Nordeste como um todo – indica comportamento climatológico “com igual probabilidade de ocorrência de precipitação para as três categorias”: abaixo, dentro ou acima da média. Ou seja, há um empate de 33,3% entre cada uma. O levantamento não surpreende, já que, historicamente, há pouca ocorrência de chuvas no segundo semestre.

Em agosto, por exemplo, a média histórica é de apenas 4,9 mm, conforme o Calendário das Chuvas da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Em setembro, ela despenca para minguados 2,2 mm. A ausência de chuvas também deve impactar nas temperaturas, cuja maior probabilidade de ocorrência fica “entre as faixas normal a acima da normal climatológica”, segundo o Inpe. A Funceme não possui prognóstico de longo prazo para o segundo semestre.

Sem nuvens

O órgão realiza análises meteorológicas diárias; a última, elaborada nesta segunda, avalia que “os últimos dias do mês de julho deverão ter predomínio de céu com poucas nuvens, isto é, sem expectativa de chuva”. Cenário diferente do início do mês, quando precipitações fizeram o cearense abrir o guarda-chuva principalmente no início da manhã.

As chuvas de julho estão, inclusive, 62,8% acima da média para o mês, conforme o Calendário das Chuvas. Os 25 milímetros já observados superam a normal climatológica de 15,4 milímetros. O resultado foi puxado pelas precipitações na região do Sertão Central e Inhamuns, onde choveu 139,9% a mais que a normal. Em seguida, vieram a região da Ibiapaba, com 119,3% de desvio positivo, e o Litoral Norte, com 59,1% acima da média calculada.

Por outro lado, choveu apenas 8,8% acima do normal no Litoral de Fortaleza. O menor desvio ocorreu na região Jaguaribana, com 4,5% de aumento. O meteorologista da Funceme, Davi Ferran, explica que, apesar da melhora, não foi possível garantir bom aporte nos reservatórios cearenses. A resenha diária da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) mostra que houve aporte de 10 milhões de m³ neste mês, distante dos 410 milhões apurados em maio e dos 70 milhões de m³ contabilizados em junho.

“A média de julho é muito baixa. Como são valores muito baixos, uma chuva significativa já altera o padrão. Por exemplo: em julho, a média histórica do Ceará é de 15 mm. Se você pensar ‘choveu 45 mm’, foi 200% acima da média. Mas é significativo? Se você levar em consideração que, em março e abril, chove 200 mm, 45 mm é um valor muito baixo em termos de recuperar vazão média de grandes açudes”, afirma Ferran.

Volume

Atualmente, os 155 açudes monitorados pela Cogerh estão com 20,3% de armazenamento acumulado. Do total, 35 reservatórios têm acima de 90% de volume, mas outros 76 – quase a metade – estão com menos de 30% da capacidade total. O Norte do Ceará tem a melhor situação hídrica, enquanto o Centro-Sul registra áreas hidrográficas com menos de 10% de volume.

Segundo Ferran, as chuvas de julho receberam influência tanto do fenômeno conhecido como Ondas de Leste, comum nesta época do ano e que costuma contribuir para chuvas nos estados do leste do Nordeste, como João Pessoa e Recife; como de linhas de instabilidade originadas a partir de frentes frias da Bahia.

Entre 2010 e 2019, conforme análise da reportagem, ocorreu uma intercalação entre pós-quadras mais ou menos chuvosos do que a média histórica do bimestre no Ceará. Porém, na análise do meteorologista, não há padrão. “É aleatório. Pelo menos, a gente desconhece uma lógica que explique essa oscilação. Há uma variabilidade natural das chuvas”, garante.

Em 2019, a quadra chuvosa foi a terceira melhor já registrada no Estado, nas últimas duas décadas. O volume de precipitações atingiu 674,9 mm, ficando atrás apenas dos índices contabilizados em 2009, quando choveu 977.1 mm, e em 2008, que registrou 771.9 mm.

Fonte DN

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