Correios: interior pode passar a ter serviço mais caro e demorado

Incluso no pacote de privatizações do Governo Federal, os Correios podem perder capilaridade e reduzir sua área de atuação com a concessão à iniciativa privada. No Ceará, o Sertão Central e áreas serranas devem perder agências e terem serviços ainda mais demorados e caros que hoje, segundo avalia o especialista em logística Daniel Cordeiro.

“Isso acontece porque é inviável manter o serviço em áreas remotas, de difícil acesso, como o Norte e o interior do Nordeste, e com baixa demanda. A empresa que for assumir terá que buscar o equilíbrio entre o nível de serviço e o custo. Mas, sem dúvida, haverá lugares que não são atrativos para a iniciativa privada. Esse será o ponto negativo da privatização”, explica.

Atualmente, os Correios possuem agências em todos os 184 municípios cearenses e disponibiliza 768 pontos de atendimento – entre agências próprias, terceirizadas e comunitárias. A empresa ainda opera 21 centros de distribuição domiciliar e dois centros de entrega de encomendas. Ao todo, emprega 2.262 pessoas no Estado.
Entre os serviços que devem gerar mais atratividade para a empresa durante o processo de privatização, Cordeiro aponta o transporte de cargas como a “galinha dos ovos de ouro”. “O segmento de correspondência deixará de existir com a virtualização e não será um atrativo para a iniciativa privada. Com a ascensão do e-commerce, principalmente, o transporte de cargas realmente é o que será mais valioso”, pontua.

Ecommerce

O mercado de comércio eletrônico no Ceará pode ser um dos mais beneficiados pela privatização dos Correios, caso haja a entrada de um grande player do cenário global, como Fedex, UPS ou DHL, por exemplo. A perspectiva é de Augusto Fernandes, CEO da JM Aduaneira, empresa que atua na área de comércio exterior e consultoria.

A opinião se baseia no potencial a ser explorado no Estado pela empresa que comprar os Correios, considerando mecanismos de infraestrutura presente aqui e na capacidade de crescimento do e-commerce, a partir da logística de compras e entregas, na região.

Fernandes pondera que a posição geográfica do Estado, aliada ao potencial de distribuição de produtos gerado pelos hubs portuário e aeroportuário, poderia impulsionar os negócios de e-commerce no Ceará a partir de uma nova gestão à frente dos Correios. Ele analisa o fato de que as grandes empresas do ramo têm um pensamento “bem diferente” do mercado brasileiro, que busca evitar a centralização de mercados.

Com os Correios sendo administrado por um multinacional de logística, a empresa poderia ter alcance mais diluído por todo o País, uma vez que os prédios da estatal poderiam se aproveitados como novos centros de distribuição.

DN

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