Número de consumidores de energia solar cresce 172% no Estado

O segmento de geração distribuída fotovoltaica mais do que dobrou no Ceará nos últimos 12 meses, registrando um crescimento significativamente acima da média nacional. O número de residências e estabelecimentos comerciais que geram sua própria energia por meio de placas solares aumentou 172% no Estado, enquanto no País o avanço foi de 136% no mesmo período. No Ceará, as residências respondem por 70% das unidades consumidoras, o equivalente a 7.867 unidades, e o comércio por 21%, com 2.365. O restante está dividido entre consumidores rurais, industriais e pelo setor público.

Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Ceará tem 11.162 unidades consumidores com geração distribuída fotovoltaica, com uma potência total de 135,4 megawatts (MW).

Ao todo, 178 municípios cearenses contam com sistemas de geração distribuída. Hoje, o Ceará é o 10º estado brasileiro com o maior número de unidades consumidoras e o segundo do Nordeste, atrás apenas da Bahia, que conta com 14.776 unidades.

Para Jonas Becker, coordenador da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) no Ceará, o desenvolvimento do setor no Estado, que supera a média nacional, se deve sobretudo ao bom ambiente de negócios, às altas tarifas de energia elétrica, e aos índices de radiação solar, que favorece a viabilidade dos projetos. Nos últimos 12 meses, 28 municípios cearenses receberam seus primeiros sistemas solares de geração distribuída, sendo 18 apenas neste ano.

“Nós temos uma boa governança entre as associações de classe, entre as empresas e o governo e tudo isso converge para o bem do setor. Além disso, há o valor da tarifa de energia do Ceará, que é uma das maiores do Nordeste, tornando a energia solar mais atrativa”, diz Becker. “Já a nossa constância de sol tem um potencial maior do que em outras regiões. Então, uma usina no Ceará precisa de um investimento menor em quantidade de módulos do que em outras regiões para atender a uma mesma demanda de energia, o que pesa na viabilidade técnica dos projetos”.

Capacitação

Além desses fatores, Jurandir Picanço, consultor de energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), diz que o Ceará, um dos pioneiros no desenvolvimento de energia renovável no País, tanto eólica como solar, se destaca pela capacitação da mão de obra. “O Ceará é referência no setor e a gente teve um grande crescimento neste ano mesmo com a pandemia”, ele diz.

Apenas em 2020, a quantidade de unidades consumidoras de geração distribuída fotovoltaica apresentou um crescimento de 106% no Estado, enquanto no Brasil o avanço foi de 78%. Já em relação à potência instalada, o Ceará dobrou sua capacidade ao longo do ano, enquanto, no País, o incremento é de 85%. E a perspectiva é que essa forte expansão continue nos próximos anos, seja pelo aumento da eficiência dos sistemas fotovoltaicos, como pela redução do preço dos equipamentos, o que reduz o tempo de retorno do investimento.

“Para os próximos meses e anos, o crescimento vai continuar acelerado. Os consumidores, na medida em que veem reduções grandes na conta de energia, acabam buscando mais essa solução. E o mercado vem acompanhando isso, com uma grande oferta de produtos, cada vez mais eficientes”, diz Picanço.

Neste mês, o Brasil atingiu a marca de 400 mil unidades consumidoras de geração distribuída solar fotovoltaica, com adição de mais 142 mil unidades no ano. Segundo estimativas da Absolar, a tecnologia, que já representa mais de 3,8 GW de potência instalada operacional, foi responsável pela atração de mais de R$ 19 bilhões em novos investimentos desde 2012.

No Ceará, Fortaleza abriga quase um terço das unidades consumidoras de geração distribuída fotovoltaica, com 3.234 sistemas. Em seguida aparecem, Juazeiro do Norte, com 593, Eusébio, com 688, Aquiraz, com 207 e Iguatu, com 457 unidades. Com 37 mw de potência instalada, Fortaleza é o quarto município brasileiro com maior capacidade de geração fotovoltaica, atrás apenas de Uberlândia (MG), com 48,6 mw, Cuiabá (MT), com 43,4 mw, e Rio de Janeiro, com 37,1 mw.

Brasil

No País, os consumidores residenciais representam 68,8% desse total de unidades consumidoras, seguidas pelas empresas dos setores de comércio e serviços (20,2%), consumidores rurais (8%), indústrias (2,6%), poder público (0,4%) e outros tipos, como serviços públicos (0,03%) e iluminação pública (0,01%).

Considerando a potência instalada, os consumidores dos setores de comércio e serviços lideram o uso da energia solar fotovoltaica, com 38,8% do total no País, seguidos de perto por consumidores residenciais (38%), consumidores rurais (13,2%), indústrias (8, 8%), poder público (1,1%) e outros tipos, como serviços públicos (0,1%) e iluminação pública (0,02%).

De acordo com a Absolar, apesar do crescimento do setor nos últimos anos, o Brasil, país com um dos melhores recursos solares do planeta, continua com um mercado pequeno em geração distribuída diante dos mais de 85,9 milhões de consumidores de energia elétrica. Atualmente, menos de 0,5% da população faz uso do sol para produzir a própria eletricidade.

Usina

Uma das vantagens do modelo de geração distribuída é que, além de possibilitar a geração de energia no próprio local de consumo, é possível optar pelo “autoconsumo remoto”, por meio do qual o consumidor recebe créditos pela geração, mesmo estando em outro local. Esses créditos podem ser utilizados para diminuir o valor da fatura, desde que na área de atendimento de uma mesma distribuidora. Nessa configuração, a energia gerada pode ser repartida entre os condôminos em porcentagens definidas pelos próprios consumidores.

DN

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