Estoque de milho é insuficiente para alimentar gado no Estado

O agravamento da seca nos próximos meses de outubro e novembro deverá afetar fortemente a pecuária cearense. Além dos efeitos da falta d’água, os estoques de ração têm sido insuficientes para atender à demanda. Atualmente, o milho (principal fonte de comida para os animais) disponível nos armazéns da Companhia Nacional de Alimentos (Conab), no Ceará, é de 6 mil toneladas, sendo que a metade já está comprometida com a distribuição para os municípios de Juazeiro do Norte e Maracanaú.

A expectativa da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA) do Estado é que o gado seja ainda mais penalizado em regiões onde não há mais disponibilidade de água nos mananciais, especialmente as localidades serranas.

O assunto foi debatido, ontem, durante a reunião do Comitê Integrado de Combate à Seca, que acontece todas as segundas-feiras, na sede do Comando Geral do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará, localizado no bairro Jacarecanga, na Capital. O problema que aflige os pecuaristas foi especialmente destacado pelo delegado federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Francisco Nelsieudes Sombra Oliveira. Segundo ele, mais do que o abastecimento de água para as populações rurais no Estado, a situação mais alarmante é para o rebanho, haja vista o aumento na restrição de reservas hídricas.

Estoques

Além da falta d’água, a reunião discutiu os estoques de milho que atendem aos produtores, principalmente quando já não se conta com as opções de pastagens, geradas pela estação chuvosa. O secretário adjunto da SDA, Antônio Amorim, informou que o Estado possui uma demanda de 34 mil toneladas de milho por mês. Enquanto isso, o quantitativo ao longo deste ano foi de 29 mil toneladas. A última remessa chegada à Conab foi de 3 mil toneladas (com fim específico para atender Juazeiro do Norte e Maracanaú), que se somam com mais três mil toneladas que deverão ser destinadas para o restante do Estado. Em julho, o último envio do produto ao Ceará, o quantitativo foi menos da metade da necessidade. Ou seja, 15,6 mil toneladas.

Preocupante

“Nós estamos reivindicando ao governo federal um aporte maior de milho porque preocupa a situação da pecuária”, disse Antônio Amorim. Ele acredita que há indicadores de agravamento da falta d’água piorando o quadro para a subsistência do rebanho, mas disse que “em nenhum momento está sendo colocada a possibilidade de sacrifício do rebanho”. O Ceará detém, hoje, 2,6 milhões de bovinos, 2,8 de ovinos e cerca de 1 milhão de caprinos.

O diretor técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), Walmir Severo, entende que tanto a água como a ração sofrem com o impacto dos três anos seguidos de seca. Com relação às reservas hídricas, lembrou que o gado vem sendo sustentado por poços profundos, mas mesmo esses são susceptíveis ao esgotamento, penalizando ainda mais produtores. Contudo, disse que não há sinais de uma previsão trágica, como alguns setores chegaram a dizer que a seca havia dizimado boa parte do rebanho há dois anos, quando na verdade apenas 4,6% foi atingida. “É um percentual elevado, mas nada comparável ao grande engano comentado em 2012”, afirmou.

Incipiente

Com relação ao alimento, ele lembrou que 2014 foi melhor com relação às pastagens nativas, uma vez que houve localidades onde ocorreram muito mais precipitações do que no ano passado. Entretanto, salientou que não se trata da principal base alimentar, havendo necessidade de oferta da produção irrigada, o que até agora tem sido incipiente. Com isso, observou que há um encarecimento nos derivados, especialmente com relação ao segmento leiteiro. Ele lembrou que há três anos, o gasto do produtor com o litro de leite era de R$ 0,45. Atualmente, é de R$ 0,90, tendo um aumento de 100%. Durante a reunião, houve uma exposição de esforços conjuntos para se priorizar a perfuração de poços, quer pela abertura de linhas de crédito, assistência técnica para estudos de terrenos e até mesmo a entrega de equipamentos. De acordo com Antônio Amorim, o Ceará já detém cerca de 15 mil poços profundos regulares, sendo mais de 7 mil pertencentes ao poder público.

Critério

Ele informou que os pedidos para novas unidades não têm cessado, apesar de existir regulamentação mais criteriosa. Com o objetivo de reduzir a quantidade de perfurações ociosas e superpostas no enfrentamento da seca, a Secretaria dos Recursos Hídrico (SRH) exige que cada localidade requeira apenas um poço e somente serão aceitos aqueles com estudo geofísico, além da doação da área necessária para implantação dos poços. “Foram medidas necessária, mas ao alcance das cidades cearenses”, ressaltou Amorim.

Mais informações:
SDA
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Telefone: (85) 3101.8002

Marcus Peixoto
Repórter

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