Previsão parcial aponta chuvas escassas em 2016

A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) confirmou, ontem, a baixa probabilidade de ocorrer um grande volume de chuva no ano que vem no Estado. A previsão parcial foi baseada na observação do comportamento do fenômeno El Niño, que, entre outros efeitos, prejudica a formação de nuvens que trazem chuva para a região nordestina do País.

Muito embora uma previsão mais acurada só seja possível fazer em 2016, os pesquisadores já sabem que o El Niño deverá prejudicar a quadra chuvosa no Ceará, para desespero da população, da cidade e do campo, que corre o risco de enfrentar o quinto ano seguido de estiagem, com efeitos absolutamente catastróficos para a economia.

Balanço

Até o momento, 146 dos 184 municípios cearenses já precisam de algum tipo de ajuda para fornecer abastecimento de água regular para as suas populações. Nesse sentido, a operação “Carro-Pipa”, conduzida pela 10ª Região Militar, tem sido o principal meio de salvação para aliviar a sede que castiga o povo, principalmente das comunidades rurais afastadas da sede dos municípios. A Defesa Civil também tem tido papel importante no auxílio ao combate dos efeitos da seca no Ceará.

Nada menos que 28 municípios cearenses tiveram situação de emergência reconhecida pelo Governo Federal, o que os possibilitou pedir ajuda para as ações emergenciais voltadas para socorro, assistência e estabelecimento de serviços essenciais, bem como tiveram facilitadas as condições para obter recursos federais para ações de reconstrução das áreas atingidas pela intensa seca.

Com apenas 16% de capacidade nos reservatórios de água do Ceará, os deputados estaduais cearenses, em discussão na Assembleia Legislativa, expusderam o temor de que, em 2016, o Estado viva o ciclo de seca de cinco anos mais grave desde 1910. De acordo com os parlamentares, a transposição do Rio São Francisco é um único mecanismo para evitar problemas de abastecimento nos próximos anos nos municípios e, principalmente, em Fortaleza.

El Niño e seus efeitos

Os fenômenos El Niño são alterações significativas de curta duração (15 a 18 meses) na distribuição da temperatura da superfície da água do Oceano Pacífico, com profundos efeitos no clima. Estes eventos modificam um sistema de flutuação das temperaturas daquele oceano chamado Oscilação Sul e, por essa razão, são referidos muitas vezes como OSEN (Oscilação Sul-El Niño). Seu papel no aquecimento e arrefecimento global é uma área de intensa pesquisa, ainda sem um consenso. Nas regiões norte e nordeste do Brasil, o fenômeno ocasiona diminuição de chuvas causando secas no Sertão Nordestino e incêndios florestais na Amazônia. Diferentemente de 2014, as condições para a formação de El Niño foram cumpridas em 2015 e institutos de meteorologia internacionais confirmaram a formação do fenômeno. A Bureau of Meteorology (Austrália), a Agência Meteorológica do Japão e a National Oceanic and Atmospheric Administration (EUA) confirmaram a formação do El Niño no fim do mês de maio com intensidade prevista entre moderado e forte, podendo se estender até o fim do ano de 2015 e começo do ano de 2016. No fim do mês de Junho a região central e leste do Pacífico alcançou anomalias de temperatura equivalentes a El Niño em patamar forte. A previsões para o fim do ano apontam para um El Niño de intensidade muito forte.

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