TRT decide que postos de combustíveis devem fechar no feriado no Ceará, mas donos afirmam que vão funcionar

Os postos de combustíveis do Ceará estão provisoriamente impedidos de funcionar em feriados, de acordo com decisão da 16ª Vara do Trabalho de Fortaleza, publicada no dia 2 de setembro. Ou seja, os estabelecimentos da categoria não devem abrir nesta terça-feira (7), Dia da Independência do Brasil. Já o sindicato que representa os empresários disse que recorreu da decisão, e que os postos vão abrir.

A tutela de urgência foi concedida em Ação Civil Pública movida pelo Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Ceará (Sinpospetro-CE), alegando que a categoria está sem convenção coletiva de trabalho vigente desde 2017, o que impediria o regulamento da atividade em feriados. O descumprimento pode acarretar em multa diária de R$ 10 mil por estabelecimento.

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Já o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Ceará (Sindipostos) afirmou que o departamento jurídico da entidade recorreu da decisão, e que os postos funcionam normalmente no estado durante este feriado.

Falta de convenção coletiva

 

No pedido feito pelo Sinpospetro, a categoria defende que o funcionamento de atividades comerciais em feriados só pode acontecer quando autorizado por convenção coletiva de trabalho, conforme a Lei nº 10.101/2000. No entanto, patrões e empregados do ramo de combustíveis no Ceará estão sem convenção coletiva vigente há quase quatro anos, deixando sem previsão a prestação de serviços em feriados.

Contudo, o Sindipostos-CE afirma que o trabalho em postos de combustíveis é imposto pela Resolução n° 41/2013 da Agência Nacional de Petróleo de segunda a sábado, independentemente de haver ou não dias de descanso legalmente previstos.

Decisão

 

A titular da 16ª Vara do Trabalho de Fortaleza, juíza Aldenora Maria de Souza Siqueira, em razão dos fundamentos da probabilidade do direito e do risco ao resultado útil do processo, atendeu ao pedido do sindicato dos trabalhadores, em caráter de tutela de urgência.

A magistrada argumentou que a posição majoritária da Justiça do Trabalho vem conferindo prevalência à negociação coletiva prevista na Lei n°10.101/2000, mesmo diante da existência de regulamentação própria do setor, e citou outras decisões similares oriundas do Tribunal Superior do Trabalho e do próprio Tribunal Regional do Trabalho do Ceará.

“O risco de dano, por sua vez, parece-me evidente, haja vista a possibilidade de submeter um numeroso grupo de trabalhadores a uma atividade sem que sejam plenamente definidos seus limites de atuação, em clara violação à legislação trabalhista”, declarou a juíza.

De acordo com a decisão, as empresas que integram a categoria econômica representada pelo Sindipostos devem abster-se de “exigir o préstimo de serviços dos empregados em postos de serviços de combustíveis e derivados de petróleo, lojas de conveniência de postos, lava-rápido, estacionamentos, limpeza e conservação de veículos do Ceará, que exerçam funções de: frentista diurno e noturno, gerente, caixa, auxiliar, pessoal de escritório, lavador, valeteiro, enxugador, lubrificador, encarregado, chefe de pista, borracheiro, recepcionista, vendedor de loja de conveniência, promotor de vendas, faxineiro, em dias de feriados no ano de 2021”, sob pena do pagamento de multa diária de R$ 10 mil por estabelecimento, reversível ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

G1

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